Saúde e Estresse
- brandaolenise
- 4 de ago. de 2024
- 3 min de leitura
Cada vez mais estudos e pesquisas demonstram que a doença não é um problema unicamente físico, envolvendo também os aspectos emocionais e mentais no processo de adoecimento e de recuperação.
No primeiro caso, podemos, por exemplo, citar a pesquisa desenvolvida por Laurence Le Shan e confirmada por Carl e Stephjanie Simonton de que o início do câncer é geralmente precedido por uma situação de grande estresse emocional no momento imediatamente anterior (de 6 a 18 meses). No segundo caso, temos o efeito do placebo, colocando em relevo e influência das expectativas e crenças no restabelecimento do funcionamento normal dos processos orgânicos.
Médicos do Instituto de Psicossomática de Paris afirmam que há sempre a participação da mente no desenvolvimento de uma doença orgânica.
O estresse provocado pela vida urbana atual com seus componentes de competitividade e violência, vem sendo associado à ativação do eixo hipotalâmico-pituitário-adreno-cortical e à redução da função imunológica celular.
Vale a pena ressaltar que, por estresse, entendemos a maneira como as pessoas reagem às situações estressantes em suas vidas a partir de suas percepções e vivências sobre si mesmas, sobre os outros e o mundo. O principal não são os eventos em si, mas como as pessoas lidam com eles. Os doutores Thomas Holmes e Richard Rahe da Escola de Medicina da Universidade de Washington desenvolveram uma escala de eventos estressantes que inclui acontecimentos como morte de cônjuge, de familiar próximo, divórcio, perda do emprego ou aposentadoria, processo judicial, acidentes e doenças, ou seja, experiências de alguma forma dolorosas, ligadas a uma perda ou de uma ameaça de perda.
Por outro lado, verificou-se que acontecimentos tidos como positivos - casamentos, gravidez ou algum tipo de conquista pessoal - também geravam estresse pelas mudanças que eles implicavam em termos de autoimagem, hábitos e relações sociais.
O decréscimo da função imunológica também vem sendo associado com o estresse crônico decorrente de desastres naturais como terremotos e furacões.
Numa pesquisa empreendida na Universidade de Miami sobre o impacto do furacão Andrew, conclui-se que a capacidade de ação ofensiva das células de defesa do organismo fica enfraquecida, ao mesmo tempo em que o organismo elevava a produção dessas células para fazer face à situação estressora, só que, nessa urgência de produção, células imaturas e ineficazes eram jogadas na corrente sanguínea, tornando as pessoas mais vulneráveis às doenças como ficou constatado pelos sintomas somáticos relatados pelas pessoas, após o furacão. Além disso, foram ainda detectadas, através de experimentos, as seguintes alterações hormonais em situação de estresse:
Aumento do nível de cortisona em pessoas que estavam na expectativa de se submeterem à cirurgia;
Aumento de adrenalina e noradrenalina;
Aumento da taxa de hormônio do crescimento em estudantes em época de exames.
No caso específico do aumento de adrenalina que atua juntamente com a cortisona no sistema circulatório, ocorre uma contração das artérias e a aceleração dos batimentos cardíacos, podendo ocasionar hipertensão.
Desta forma, torna-se mais fácil entender os "picos hipertensivos" de alguns acidentes, por exemplo, antes de cirurgias.
Uma outra ação da adrenalina em nosso corpo vem a ser a aceleração da transformação de glicogênio em açúcar no fígado quando aumento de teor de açúcar no sangue. Deste modo, podemos entender o chamado "diabete emocional".
Além disso, visto que a cortisona atua também na inibição do sistema imunológico, é possível relacionarmos o estresse antes de cirurgias com uma maior susceptibilidade do organismo à infecções no pós-operatório.
Por tudo que dissemos, fica clara a necessidade das pessoas terem suas vivências, crenças e expectativas relacionadas a situações estressantes, abordadas e trabalhadas psicologicamente, visando uma melhor organização pessoal frente àquela situação com a consequente redução do estresse, o que atuará positivamente no organismo, podendo esta abordagem funcionar como complemento a um tratamento clínico.
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