Os Tratamentos do Câncer II
- brandaolenise
- 4 de ago. de 2024
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Atualizado: 11 de jan. de 2025
O objetivo do tratamento de um câncer é obter a cura. Se a cura não é possível, o tratamento tem como meta parar a evolução o maior tempo possível e permitir à pessoa levar uma vida próxima do normal, atenuando os sintomas da doença.
Os tratamentos não podem ser iguais, uma vez que há várias formas de câncer e que cada forma pode ser tratada em diferentes estágios. A cirurgia, a radioterapia, a quimioterapia, a hormonoterapia e a imunoterapia, sozinhas ou associadas entre si, constituem os principais tratamentos.
Os princípios do tratamento são os seguintes:
Dada a diversidade dos tratamentos, às vezes é necessário haver um acordo entre vários médicos, especialistas em diferentes técnicas, com o objetivo de planejar o tratamento da forma mais eficaz.
A meta não é submeter a pessoa ao maior número de tratamentos possíveis, mas definir para ela o melhor tratamento, aquele que permitirá obter bons resultados com o mínimo possível de seqüelas.
Os esforços devem ser desenvolvidos para diminuir os efeitos secundários dos tratamentos e manter uma qualidade de vida.
Distinguem-se três grandes grupos de tratamentos:
a cirurgia;
a radioterapia;
os tratamentos medicamentosos (quimioterapia, hormonoterapia, imunoterapia).
Todas as pessoas não devem ser tratadas com os três tipos de tratamento. Chega-se à noção de um tratamento principal e de tratamentos associados, que são chamados de coadjuvantes, reforçando a eficácia do primeiro tratamento, sobretudo com o objetivo de evitar recidiva, ou seja, o reaparecimento do câncer.
A Cirurgia
Os cânceres são frequentemente tratados pela cirurgia. Se todas as células cancerosas podem ser retiradas pela exérese do tumor, a cirurgia deve obter a cura. Se as células alcançaram as vias linfáticas, mas estão ainda bloqueadas nos gânglios vizinhos, a exérese cirúrgica desses gânglios pode efetivamente parar a evolução do câncer.
Ainda que o ato cirúrgico seja uma agressão para os tecidos do organismo, a cirurgia do câncer impõe frequentemente uma extensão maior da exérese, abarcando não apenas o tumor maligno ou o órgão atingido, mas também uma margem de tecidos sadios e gânglios vizinhos, com o objetivo de não deixar nenhuma célula cancerosa no organismo.
De alguns anos para cá, a associação de tratamentos (cirurgia + radioterapia e/ou quimioterapia) pode permitir uma cirurgia menos pesada, mais conservadora, aumentando ainda as taxas de cura.
Já a cirurgia de redução tumoral não pretende retirar a totalidade da massa tumoral, mas permite uma maior eficácia da radioterapia ou da quimioterapia.
Um outro tipo de cirurgia ganha cada vez mais importância em cancerologia. É a cirurgia reconstrutora para a restauração das formas e melhora da qualidade de vida da pessoa.
A Radioterapia
Atualmente, mais da metade das pessoas doentes se beneficiam do tratamento por irradiação isolada ou combinada com outros métodos. Isso depende da localização do tumor, do estágio da lesão e do estado geral da pessoa.
A cirurgia e a radioterapia correspondem a um tratamento local, atacando o tumor e, eventualmente, os gânglios vizinhos. São frequentemente utilizadas de forma associada. A radioterapia pode ser pré-operatória, reduzindo assim o volume do tumor, facilitando a sua retirada cirúrgica e alterando as células cancerosas. A irradiação é também utilizada depois do ato cirúrgico para destruir as células que tiverem escapado do bisturi, melhorando assim as chances de cura. Além disso, a radioterapia permite atingir a massa de um câncer em regiões inacessíveis à cirurgia.
Os raios podem ser utilizados como tratamento inicial para um grande número de tumores malignos, como aqueles do colo uterino, do reto, da região da cabeça e do pescoço, como também aqueles dos ossos, da próstata, do testículo, da pele, além dos tumores cerebrais e da doença de Hodgkin.
Os raios, se não matam diretamente as células cancerosas, destroem seu aparelho de reprodução. Desse modo elas não podem originar novas células malignas. A sensibilidade à radiação difere segundo os tecidos e os tipos de células.
A radioterapia pode ser administrada por via externa ou interna. No primeiro caso, o local a ser tratado é colocado sob o feixe de um aparelho produtor de raios (bomba de cobalto ou acelerador de partículas). No segundo caso, introdui-se no tecido tumoral agulhas ou fios radioativos que são deixados no local algumas horas ou dias.
O tratamento com radiações pode produzir efeitos sobre os tecidos sadios que estão ao redor do tumor. Assim, a irradiação dos tumores abdominais e pélvicos pode irritar o intestino e provocar diarréia. A radioterapia dos gânglios linfáticos no tórax pode atingir o esôfago e se acompanhar de dificuldade para engolir. Algumas áreas da pele têm uma fraca tolerância à irradiação, ocasionando comichão e prurido. Nos tumores da cavidade bucal, pode-se observar uma alteração do paladar ou uma dificuldade de deglutição por estancamento da secreção salivar.
Pode-se atenuar esse efeitos com o uso de soluções antissépticas, a supressão de alguns alimentos, o tratamento da diarréia e a aplicação de uma pomada calmante sobre a pele. A maior parte desse sintomas desaparece com o fim do tratamento e a cicatrização dos tecidos lesados.
Os Tratamentos Medicamentosos
A quimioterapia:
A cirurgia e a irradiação são mais eficazes nos cânceres limitados a uma região do organismo. A quimioterapia permite atacar aquelas células disseminadas no organismo e além das possibilidades da cirurgia e da irradiação.
Os medicamentos se difundem por todo o organismo e agem alterando o mecanismo interno das células cancerosas, em particular, a sua reprodução. As células normais se reproduzem apenas quando cumpriram uma função específica. Entretanto, em um tratamento de quimioterapia algumas células normais estarão em processo de reprodução e poderão ser atingidas.
Todas as precauções deverão ser tomadas para economizar ao máximo as células normais, atingindo o maior número possível de células cancerosas. A questão é se atingir doses eficazes sem ter muitos efeitos secundários.
Atualmente existem muitos produtos, cada um agindo sobre as células de maneira diferente. Os agentes alquilantes bloqueiam a reprodução do material genético (ADN). Os antimetabólicos impedem as transformações celulares e, assim, as células se enfraquecem e morrem. Alguns antibióticos interrompem dentro das células a capacidade de elaboração de certas proteínas essenciais. Outros medicamentos cortam o suprimento de sangue e, conseqüentemente, de alimentação do tecido tumoral.
A escolha do tratamento ou “protocolo terapêutico” depende das características da cada tumor e se apoia na experiência com tratamento de lesões similares. Freqüentemente a quimioterapia utiliza a associação de produtos com impactos diferentes sobre o ciclo celular, de modo a permitir uma melhor eficácia contra o tumor.
Nos últimos 30 anos progressos muitos importantes no tratamento dos cânceres foram obtidos graças à quimioterapia. Para alguns tumores, como as leucemias agudas, a quimioterapia intervém como tratamento básico. Para outros tumores, como os cânceres de seio ou de ovário, a quimioterapia é utilizada em associação com a cirurgia e/ou a radioterapia para aumentar e consolidar as taxas de cura.
A quimioterapia é frequentemente percebida pelo grande público através das complicações que ele acarreta: náuseas, vômitos, fadiga, queda de cabelo (alopécia). Mas uma grande parte desses efeitos secundários desaparecem com o tempo. Terminado o tratamento, as lesões dos tecidos são reparadas, os cabelos crescem de novo e as anomalias do sangue desaparecem.
Nos últimos 10 anos foram feitos progressos consideráveis no sentido de atenuar a intensidade das náuseas e vômitos da quimioterapia, através de remédios e do uso de técnicas de relaxamento e visualização, juntamente com o desenvolvimento de expectativas positivas em relação ao tratamento.
A Hormonoterapia
A hormonoterapia está ligada aos cânceres chamados hormono-dependentes, dos quais os principais são os cânceres de mama e de próstata. A hormonoterapia faz apelo aos hormônios antagonistas, como o tratamento anti-estrogênio para os cânceres de mama. Como no caso da quimioterapia, esse tratamento pode ser utilizado para tratar as metástases ou para preveni-las. Os tratamentos hormonais são em geral melhor tolerados que a quimioterapia.
A Imunoterapia
Com relação à imunoterapia, o objetivo é de estimular as defesas do organismo. Progressos importantes foram conseguidos com a identificação de substâncias mediadoras da imunidade – as interleucinas que agem como fatores de crescimento dos linfócitos, variedade de glóbulos brancos que podem reconhecer e destruir as células cancerosas. Resultados encorajadores são obtidos no caso de cânceres do rim e em certos cânceres dos gânglios.
Texto extraído de informativos da Liga Nacional Contra o Câncer, da França.
Novas Considerações sobre a Quimioterapia
Estão surgindo novos medicamentos, conhecidos como terapia-alvo. Em comparação com a quimioterapia tradicional, eles agem de forma inteligente, atuando exclusivamente sobre as células cancerosas e impedindo a sua proliferação, sem afetar as células sadias. Com isso, o tratamento é mais eficaz e apresenta menos efeitos colaterais.
Podem ser divididos em dois grupos: os anticorpos monoclonais e os inibidores de tirosinaquinase, havendo atualmente medicamentos desses tipos disponíveis para linfoma, leucemia, câncer de rim, de pulmão, de mama, de intestino, e de cabeça e pescoço.
A baixa toxicidade desses medicamentos permite inclusive que eles sejam usados no tratamento de pessoas idosas.
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