A Psicologia e o Câncer
- brandaolenise
- 1 de ago. de 1999
- 1 min de leitura
Atualizado: 4 de ago. de 2024
"Por que eu ?"
Esta é a pergunta que a pessoa imediatamente se faz quando recebe a confirmação do diagnóstico de câncer. A vida parece, então, desmoronar junto com todos os projetos, expectativas, desejos e conquistas.
O câncer é percebido ainda hoje como uma condenação, como um castigo - merecido ou não - estando ainda fortemente associado à ideia de morte. A partir desta vivência, a pessoa, que se sabe portadora de câncer, tende a se isolar procurando esconder dos outros e, por vezes, até de si mesma, a sua doença.
Este tipo de atitude de negação, longe de ter um efeito positivo na reorganização da pessoa frente à doença, tende a retardar e dificultar os passos necessários na busca dos recursos disponíveis ao seu tratamento. Pois, só na medida em que o câncer é enfrentado de forma direta e objetiva, com a participação ativa e responsável da pessoa nas decisões pertinentes ao seu tratamento e à sua vida, é que se torna possível desmistificar essa doença e reorganizar a vida, de forma que a pessoa possa buscar uma maneira mais plena e satisfatória de viver consigo mesma e com os outros.
Nesta ótica, o atendimento psicológico mostra-se útil ao ajudar a pessoa a lidar com a doença e a perceber o que pode e precisa ser mudado em si mesma - atitudes, crenças, valores e expectativas - visando uma melhor qualidade de vida.
E é importante frisar que isto pode ser buscado e alcançado independentemente do prognóstico e da evolução da doença, uma vez que o essencial está não na quantidade de anos vividos, mas na maneira de vivê-los.
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