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A Pessoa em Estado Psicótico na Abordagem Fenomenológico-existencial

  • brandaolenise
  • 4 de ago. de 2024
  • 2 min de leitura

Na Abordagem Centrada na Pessoa, não existe uma teoria sobre a psicose, nem uma descrição das psicopatologias ou classificação dos distúrbios mentais, envolvendo etiologia, sintomatologia, mecanismos de defesa, curso e prognóstico. Isso não constituía uma preocupação para Rogers. A perspectiva pela qual ele olhava o homem era não a da doença, mas a perspectiva do que poderia ser feito para que a pessoa pudesse retomar o seu desenvolvimento da forma mais adequada possível para si mesmo no seu contexto e diante de suas possibilidades.


Rogers centrou-se no processo terapêutico e, dentro deste, de maneira mais específica ainda, na relação terapeuta-cliente, procurando perceber e concluir que atitudes, que ações do terapeuta favoreciam a evolução do processo terapêutico do cliente, que ações facilitavam o cliente a buscar um desenvolvimento mais integrado e mais construtivo para si.


Com esse intuito em mente, Rogers registrou através de gravações várias sessões de psicoterapia com diferentes clientes, observou-as posteriormente, levantou hipóteses e elaborou uma teoria sobre quais seriam as condições necessárias e suficientes para um bom desenvolvimento do processo terapêutico. Isso foi realizado a partir da experiência com pessoas ditas neuróticas, ou seja, pessoas com problemas de adaptação e/ou dificuldades em suas relações interpessoais.


Em 1957, Rogers deixou a Universidade de Chicago e se dirigiu a Wisconsin com o intuito de experienciar essa teoria com pacientes psicóticos hospitalizados e de baixo nível sociocultural. As principais dificuldades com que Rogers e sua equipe se deparavam foram:

  1. Aquelas pessoas não buscavam conscientemente uma ajuda e, consequentemente, não possuíam uma motivação consciente para submeter-se à psicoterapia ou para realizar a exploração de si mesmos;

  2. Aquelas pessoas tinham muita dificuldade de estabelecer uma relação interpessoal e muitas permaneciam em silêncio durante o contato com o profissional. Por outro lado, Rogers pode perceber a extrema sensibilidade desses pacientes psicóticos com as atitudes do psicoterapeuta.


Esta experiência com pessoas em estado psicótico confirma, pois, para Rogers o giro existencial de sua psicoterapia, que passa a centrar-se primordialmente na autenticidade ou congruência do terapeuta na relação com o cliente. Isso significa o psicoterapeuta estar disponível e aberto para entrar em contato pessoal com aquele indivíduo e ir tentando penetrar pacientemente em seu mundo. Significa muitas vezes o terapeuta tomar a iniciativa na relação, colocando-se como uma pessoa real, sendo ele mesmo, pessoa, naquele contato e expressando verbalmente o que ele, terapeuta, está vivenciando com relação àquela pessoa naquele momento. Significa que, no momento imediato da relação terapêutica, a teoria não deve estar presente ou é irrelevante; que, em vez de uma teoria ou de uma ‘postura terapêutica’, o mais importante é o terapeuta buscar penetrar naquela realidade distorcida do cliente, naqueles delírios e alucinações, naquele discurso desconexo e ir captando os sentimentos, as necessidades, os significados que estão ali, as vivências que aquela pessoa está tendo naquele momento de si mesma, dos outros e do mundo. A partir dessa compreensão, o terapeuta poderá ajuda-la a clarificar essas vivências para si mesma, compreendendo-as em seus significados, para que possa ir integrando-as gradualmente em sua estrutura psíquica na acolhida e na segurança da relação terapêutica.

 

Nisto consiste a abordagem fenomenológico-existencial em psicoterapia.


 
 
 

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