A Nutrição no Corpomente
- brandaolenise
- 29 de set. de 2024
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A Nutrição tem sido um aspecto negligenciado pela nossa Medicina, contrariando as ideias de Hipócrates, considerado o pai da Medicina Ocidental, que salientava o papel dos alimentos na prevenção das doenças e na manutenção da saúde. Devemos lembrar que o corpo humano, físico, é basicamente química e, consequentemente, a maneira mais efetiva de abordar esse corpo é pela Nutrição.
Gostaria, entretanto, de propor um modo mais amplo de pensarmos a Nutrição. Estou me referindo à perspectiva holística, que compreende o ser humano não apenas como um corpo físico, mas o percebe também possuindo uma mente e um espírito, sendo que esses três aspectos se encontram entrelaçados e interconectados tanto na promoção da saúde como no desenvolvimento das doenças. Dentro desta visão, temos as Medicinas do Oriente – a Medicina Ayurvédica e a Medicina Tradicional Chinesa.
No Ocidente, podemos já constatar que uma nutrição adequada tem efeitos positivos na saúde mental, aumentando a sensação de bem-estar, a disposição e o humor. Percebemos também que emoções negativas na hora da refeição dificultam a digestão. O stress crônico diminui a assimilação de nutrientes, ao passo que o relaxamento facilita essa assimilação. Temos ainda que a raiva aumenta a motilidade dos intestinos, enquanto o contentamento diminui essa motilidade.
Tudo isso ocorre devido à estreita conexão, em mão dupla, entre o Sistema Nervoso e o Sistema Digestivo, pela via sináptica, através do Sistema Nervoso Autônomo, e pela via parassináptica, através dos neuropeptídios e de seus receptores nas células. O íleo, a parte mais alta do intestino, possui nervo colinérgico, que libera o neurotransmissor acetilcolina. Todo o trato digestivo, do esôfago aos esfíncteres, contém neuropeptídios e receptores em alta densidade. Não é à toa que sentimos muito as nossas emoções nessa parte do corpo e falamos de sentimentos viscerais! Além disso, os intestinos estão carregados de receptores de serotonina, outro neurotransmissor, responsável entre outras substâncias pelo bem-estar, regulando, também, o apetite. O peptídeo intestinal vasoativo (VIP) é produzido no intestino delgado, no pâncreas e no hipotálamo. Já a bombesina, através de seus homólogos neuromedina B e peptídeo liberador de gastrina, está presente na parte superior do Sistema Nervoso Central, possuindo receptores no Sistema Límbico, responsável pelas emoções, e sendo também encontrada no Sistema Digestivo e nos pulmões.
É comum associarmos a Nutrição apenas ao aspecto da assimilação, o botar para dentro do organismo os alimentos e seus nutrientes. Entretanto, tão importante quanto a assimilação, é a eliminação, o botar para fora os resíduos e o que não serve ao organismo. Pensando esses dois aspectos na perspectiva holística, podemos nos perguntar o que alimenta positivamente também a nossa mente e o nosso espírito. Que atitudes, e seus correspondentes sentimentos, que atividades, situações e relações sentimos que nos fazem bem?
Às vezes, no consultório, pergunto ao cliente, que se queixa de falta de motivação e de “cores” na sua vida: “O que você faz atualmente que lhe gratifica, que lhe dá prazer? O que você sente que alimenta a sua alma? ” E é comum eu ouvir como resposta “Nada”, após alguns segundos de reflexão. Essa gratificação pode vir do contato e da contemplação da natureza, da expressão artística e da contemplação da arte, da dança, do canto, da leitura, da escrita, do encontro com pessoas, da meditação e da oração. Todas essas possibilidades são uma forma de comunhão.
Por outro lado, precisamos também dar-nos conta de quais atitudes, situações, atividades e relações sentimos que nos fazem mal de alguma maneira e necessitam ser transmutadas, substituídas, eliminadas ou, pelo menos, minimizadas em nossa vida. Falamos aqui, por exemplo, dos ressentimentos e das mágoas, das culpas e das recriminações, das lamentações e dos lutos, dos quais precisamos nos desprender para seguirmos em frente. Frequentemente envolvem uma forma de perdão, do outro ou de nós mesmos.
Percebo com alguns clientes que, muitas vezes, eles buscam a comida como uma forma de gratificação, de se darem algum prazer numa rotina inóspita e pesada, ou de aplacarem a solidão, ou ainda de compensarem uma frustração. Às vezes, a comida é uma tentativa de diminuir a ansiedade e possibilitar um relaxamento. Outras vezes, é uma forma de a pessoa se punir, se castigar ou de se proteger atrás de uma espessa camada de gordura.
Muito teríamos ainda para discutir sobre este tema. Contudo, finalizo este texto propondo uma re-flexão. Procure perceber que alimentos você está se dando no seu dia-a-dia e os efeitos desses alimentos em você mesmo(a) e em sua vida. O segundo passo será o compromisso com a mudança.
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