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A ACP na Psicologia Hospitalar

  • brandaolenise
  • 29 de set. de 2024
  • 3 min de leitura

Ao examinarmos a atuação da psicóloga no contexto hospitalar, podemos avaliar que a Abordagem Centrada na Pessoa se adequa de maneira ímpar a essa atuação por vários motivos. Passaremos a enumerá-los.


Em primeiro lugar, a ACP se centra no presente, no que está sendo vivenciado pela pessoa aqui e agora.  Nesse caso, possibilita que a pessoa internada expresse seus sentimentos, as suas dúvidas e as suas ansiedades em relação a sua doença, aos seus tratamentos, ao que ela deixou lá fora (trabalho, família, projetos) e a sua vida após a alta hospitalar. E será a pessoa quem vai escolher, de acordo com suas necessidades, a questão que ela vai querer abordar no primeiro momento, e no segundo e no terceiro, se existirem. Isso porque, muitas vezes, a relação entre a psicóloga e a pessoa internada se limita a um único encontro, que pode ser profundo e muito significativo, dependendo da disponibilidade sensível da profissional e da abertura da pessoa internada a esse contato. Os momentos de crise, e a internação hospitalar por adoecimento ou por acidente é um deles, trazem consigo sentimentos de ruptura, de vulnerabilidade e de urgência, abalo ou colapso da organização anterior, diminuição das defesas psicológicas e questionamentos sobre o sentido da vida. Esses aspectos tornam a pessoa mais predisposta a implementar mudanças em si mesma e em sua vida. 


Outro ponto a ser sublinhado diz respeito à visão do ser humano como pessoa, com ênfase na sua racionalidade, dotando-a de criatividade e da capacidade de fazer avaliações, de fazer escolhas e de tomar decisões, responsabilizando-se por elas. A pessoa é também possuidora de uma tendência a buscar o seu desenvolvimento e a sua expansão durante o seu curso de vida, a partir das percepções que ela tem de si mesma e do meio a sua volta. Ou seja, ela é concebida com um poder pessoal, que precisa ser respeitado, o que se reveste de fundamental importância no contexto hospitalar, onde predomina um poder de dominação e de tutela da pessoa doente, incapacitando-a além da problemática orgânica e negando-lhe muitas vezes o direito a informações sobre o seu quadro clínico. 


Como consequência dessa visão de ser humano como pessoa, a ACP caracteriza a relação de ajuda como uma relação de facilitação do crescimento do outro; um ‘poder para’ em contraposição ao ‘poder sobre’ o outro. No contexto hospitalar, isso significa a pessoa internada ter consciência dos seus direitos – os direitos do paciente - e exercer esses direitos com acesso à informação, avaliando as opções de tratamento, opinando e fazendo escolhas. Significa também ajudar a pessoa a desenvolver uma compreensão do seu adoecimento dentro do seu processo de vida, como resultante da maneira como ela vem se conduzindo e se relacionando, como resultante das suas atitudes e crenças em relação a si mesma, aos outros e à vida. É a partir dessa compreensão que ela poderá realizar as mudanças necessárias em si mesma, em sua vida e em suas relações, participando ativamente e conscientemente de seu processo de cura – física, mental, emocional e espiritual - e de crescimento como pessoa.


Dentro da visão holista do ser humano e do organismo humano como uma totalidade psicofísica, a doença surge como um sinal de alerta, apontando para um desequilíbrio, resultado de algum excesso e/ou de alguma falta na vida daquela pessoa, como uma maneira de fazê-la parar e se escutar, escutando o próprio corpo, para que a partir daí ela possa desenvolver uma nova maneira de viver, de estar no mundo, mais plena e harmoniosa, ‘descobrindo e cantando a sua própria canção’. Desse modo, a doença faz parte daquela tendência à evolução e à expansão de si mesmo, podendo se converter numa rica experiência de aprendizagem e de crescimento.


Com relação às formas de atendimento, podemos na ACP desenvolver abordagens individuais de pacientes e de seus familiares, como também abordagens de grupo com os mesmos e com os profissionais da instituição – enfermeiros e médicos, que entram em relação com os pacientes e com as famílias. O objetivo dessa última atuação é oferecer aos profissionais um continente e um suporte para as suas angústias, dúvidas e dificuldades na vivência diária com o sofrimento e com os limites – da vida e da sua atuação profissional, além de trabalhar a qualidade da relação com os pacientes e com as famílias, fomentando nos profissionais uma visão e uma compreensão mais amplas do paciente, de seu adoecimento e de sua dinâmica familiar. Dessa maneira, ampliamos as possibilidades de crescimento de todas as pessoas envolvidas – pacientes, familiares e profissionais.    

 
 
 

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